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Santos, São Paulo, Brazil

domingo, março 27, 2005

Páscoa



Renasce, Cristo, dentro da minha alma.
Vê a minha vida com calma.
Ressuscita todos os coelhos que andam perdidos nos caminhos que percorro.

Salva-os das tocas escuras e dos companheiros ladrões de cenouras que vivem em hortas alheias a cavoucar buracos.

Vigia-me, Cristo, para que eu não deslize aqui neste planeta carregado, ingrato, cheio de pecados dos homens que por ti nada sentem, que duvidam de ti, desprezam-te, amaldiçoam-te a troco de nada.

Olha para mim quando oro para ti, Senhor, sempre que contemplo uma estrela, quando tomo banho de cachoeira, quando admiro o mar, quando um raio corta o céu, quando a chuva refresca o calor, quando um animal lambe a cria, quando uma criança nasce, quando uma flor em botão se abre, quando as obras de Deus não conseguem ser explicadas.

Quero sentir um cravo apertado em meu cérebro. Quem sabe, assim eu pare de rodopiar minha inteligência em volta de Igrejas, procurando um ritual para ti.

Quem sabe, eu me convença de que és o Princípio e o Fim, Alfa e Ômega, a Luz dos povos, o Senhor de todos os espaços, independentemente do nome que os homens dão à tua casa.

Quero vestir uma coroa de espinhos sobre a minha vontade de chantagear-te com promessas infundadas, prometendo-te autoflagelos absurdos que para ti não resolvem nada.

Quero sentir o sangue correr por minha testa, até que eu entenda que uma mão estendida a um filho teu, te agrada bem mais e te faz feliz.

Quero que chicotes marquem minhas costas, firam minha pele, até que eu grite que vou te escutar... e te entender... e te aceitar.

Quero parar de fazer perguntas bobas sobre a hora da tua morte, quantos dias ficaste insepulto, quem primeiro te viu e se de fato morreste.

Coisas que não mudariam em nada o amor que tu nos dás.Que eu compreenda, Jesus, que a tua ressurreição foi a forma que achaste de mostrar a passagem da escravidão para a liberdade.

A liberdade de amar. Que essa cruz pese, assim, sobre meus ombros. Pese de amor, pese de te amar, a fim de que isso me dê coragem de morrer pelo teu nome, sempre que precisar.

Que nesta festa cristã, que é a Páscoa (do hebreu, Peseach), com os ovos (símbolo do nascimento), com os coelhos (animal de grande ninhada, que simboliza a capacidade de produzir novos discípulos), possamos amar-te a metade do que tu nos ama e agradecer-te a vida eterna, a liberdade, antes de comer chocolates.

8 comentários:

Anônimo disse...

deixo beijinho de boa e santa Pascoa

www.lbutterfly.blogs.sapo.pt

O Micróbio disse...

Gostei de ler...

Armando S. Sousa disse...

Espero que a sua Páscoa tenha sido bem passada.
Fique bem e um abraço.

Anônimo disse...

É isso tudo a ressurreição.Muito profundo e sentido.
Paulo (novavida.blogs.sapo.pt)

O Turista disse...

Esse post foi bem profundo e ostei de o ler!
Espero que tenha tido uma Santa Páscoa!
Beijinhos,

O Turista - http://turistar.blogspot.com/

Primula Bramble disse...

Mereçes plenamente o lugar que te vou atribuir esta semana lá no meu cantinto... :)

peciscas disse...

É bonita a tua fé.
Já agora- já sabes que estás a votos no Primula Bramble?

100chave disse...

Páscoa é reflexão para poder renascer. Renasça em cada dia. Gostei das suas palavras.
Fique bem,