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domingo, março 24, 2013

Cincoenta e alguns!

Nossa, 53 anos, alguns fios brancos, kilos a mais e muitas coisas pra rever mas isso é pra outo post! Ah eu voltei!!

domingo, junho 12, 2011

Posses



É muito difícil ficar sem reclamar, e mais difícil ainda fazer algo para resolver alguns impasses. Muito fácil sentar e se lamentar. Ou ler livros de gurus de auto-ajuda, que na realidade se preocupam muito pouco com você. Porque eles não te conhecem, e te generalizam, usam estereótipos.

E qualquer pessoa sensata sabe que estereótipos são muito perigosos. Te dão a falsa segurança da previsibilidade. E aí o destino não bate em sua porta, mas sim em sua cara... e nas horas mais altas da madrugada, o que tenho é só eu mesma. Minha única posse, o que sou.

Portanto, tudo que tenho sou eu mesma...

quarta-feira, março 02, 2011

De volta...

Quando penso nas pessoas distantes no mundo, os ventos que afastam e separam o que por um dia ou segundo já foi junto, me dá a sede insaciável da estrada, da capacidade infinita e humana de se encontrar, sejam por clareiras abertas na terra ou por túneis invisíveis de ar, as asas abertas metálicas, as trilhas com a profundidade das pegadas, as garrafas guardando suas cartas sob a corrente caprichosa do mar.

Penso nas pessoas que se esbarram, se tocando pelas mangas das blusas e pelas barras dos vestidos, se perguntando um como você se chama misturado a um posso lhe fazer um breve pedido, as inconstâncias do precisar, onde o desejo que lhe prova que está vivo é a mesma força que pode lhe matar...

sábado, novembro 28, 2009

Considerações


...existem dias em que realmente queria voltar a ser criança, uma tábula rasa, pra aprender tudo de novo.

A decepção hoje em dia não é novidade, é companheira antiga, que bate à porta quando em vez. E é muito frustrante perceber que ela não fica mais leve, não se gasta, não pede licença nem diz sinto muito.

Como um fenomeno natural, ela somente vem, e vai embora depois...

quinta-feira, junho 07, 2007

Coragem

Meter os pés pelas mãos.
Desconfiar do que pode dar errado, e tentar mesmo assim.
Parece à estória da vida de todo mundo. Mas não é.

Existe gente nesse mundo que passa pela vida assombrado pelo medo de ter medo, pelo medo de tentar.

Tem gente com medo de respirar mais fundo, abrir as mãos, e entrar em queda livre, sem uma visão nítida de seu chão.

De quão fundo é o poço, de quão profunda é a sua solidão. Gente que todo dia engole uma palavra que queria vomitar.

Gente que todo dia demora pra sair de casa, que pega um guarda-chuva em dia de sol.

Gente que duvida da consistência de sua carne, da sutileza de seu coração.

Que acorda de decisões tomadas e dorme com arrependimentos acumulados.

Gente que não dança, nem canta.

Que da caixa de Pandora só soube valorizar a esperança, e não entendeu que as adversidades nos constroem do jeito que somos.

Porque não podemos somente confiar no futuro, e isso é um fato.

Quem em sã consciência pode confiar no que ainda não aconteceu? Que mão damos ao destino, se sabemos que ele é um viajante solitário? E se as coisas acontecem ao acaso, se o mundo é entropia, não há muito que se dizer.

Aceitar as coisas como elas vêm foi muito bom pra quem não teve que se equilibrar na corda bamba.

Pra quem se sentiu perdido, e nunca teve um fio de novelo pra sair do labirinto, é preciso mais. Muito mais.

Tem gente que não sabe pra onde ir. Pra tudo isso, por tudo isso, coragem.

E cá entre nós, eu tenho muita!

Não me pergunte como a consegui, apenas a tenho e ela surgiu do nada para me mover em direção ao meu destino....

domingo, novembro 27, 2005

Sons


Se você resolver segurar minha mão agora, pode perceber que elas tremem levemente. Vibram no ritmo da música em meu coração. Um diapasão buscando a afinação certa.

Muitas vezes o mundo é assim, um tambor invisível que não obedece nossa regência, que atravessa a música, e simplesmente não pede desculpas depois.

Fica claro após alguns movimentos que não tenho essa partitura. Que me sinto perdida entre tantas sensações.

Se você encostar a cabeça em meu peito, vai ouvir que batuco descompassada. Mas sabe que, pelo menos, eu bato.

Tum.Tum.Tu-tum.Tum.Tu-tum...

quarta-feira, julho 27, 2005

Afinidade



Às vezes é bom saudar a manhã. Que seja com um sorriso, ou com o erguer de um copo fumegante de caféquente.

Porque faz bem ao coração o início da manhã, o ar sempre parece mais leve e as preocupações menos importantes.

Acho que a natureza é sábia em tirar o peso sempre no início, mostrar que algo novo aconteceu, e que tudo nessa vida, todas as horas desse dia, são marcados pelos estigmas das possibilidades.

Tudo nessa vida se baseia nas possibilidades. Como ontem o que era errado agora é tão certo. Como as riquezas de hoje eram a futilidade de nossos pais.

De como nossos filhos vão seguir nosso caminho simplesmente nos negando, modificando tudo em que agora acreditamos. E com um grande amor e afeto, simples assim.

Porque a vida continua. É um ônibus com muitos passageiros, que nem sempre são os mesmos, mas mesmo assim ele não pode parar. Segue a estradinha com todas suas curvas, novos buracos e novos atalhos. Não importam os passageiros.

Mas se me sento ao teu lado todo dia durante a viagem, primeiro te seguro a vasta pasta de executivo, depois a mão.

E depois o que?

A vida não precisa de nós. Mas precisamos um do outro.

É o princípio da afinidade.

sábado, abril 30, 2005

Ilhas



Sabe aqueles dias em que nos sentimos uma ilha...
pois é... acho que descobri minha vocação:
ser um ser-ilha.

"Ilha não é só um pedaço de terra cercado de água por tudo quanto é lado.
Ilha é qualquer coisa que se desprendeu de qualquer continente. Por exemplo: um garoto tímido abandonado pelos amigos no recreio, é uma ilha.

Um velho que esperou a visita dos netos no Natal e não apareceu ninguém, é uma ilha. Até um cara assoviando leve, bem humorado, numa rua cheia de trânsito e stress, é uma ilha.

Tudo na gente que não morreu, cercado por tudo o que mataram, é uma ilha. Toda ilha é verde.
Uma folha caindo é ilha cercada de vento por tudo quanto é lado. Até a lágrima é ilha, deslizando no oceano da cara."
Oswaldo Montenegro

quinta-feira, abril 07, 2005

Amor perfeito



O único amor perfeito que conheço tem pétalas e vive cercado de abelhas na primavera. Muitos poderão dizer que pareço pessimista, desencantada.
Alguns chegarão ao extremo de me chamar de desesperançada.

O que muita gente não percebe é que imperfeição não significa necessariamente algo ruim.A verdade é que é impossível agradar a tudo e a todos, impossível cumprir à risca a visão pessoal de cada um sobre o mundo.

No mais básico, existem pessoas que gostam de chuva e outras que gostam de sol. Uns gostam de calor, e outros de frio. Adoro goiaba, ele não pode sentir nem o cheiro.

E ao amar alguém, essas diferenças não somem de um dia para o outro. Engraçado notar que certas pessoas têm discussões enormes com seus amores por causa disso, quebram objetos, arranham cd's, partem mesmo para a apelação pura e simples, e novamente isso demonstra a grande variedade de pessoas que existem nesse planeta: uns acham isso estimulante, outros uma enorme decepção.

Eu mesma, confidencio, não poderia ficar com uma pessoa que concordasse comigo em tudo. Se até discordo de mim mesma, o que dizer das pessoas que escolho (ou me escolhem) para conviver comigo?

Eu não chego ao ponto de quebrar as coisas, gritos de vez enquando, não me levem a mal. Também gosto de uma boa conversa, de ver os infinitos lados de toda boa e velha moeda.

E se não existe amor perfeito além da flor, aquela lá de cima, eu aceito isso muito bem. Podemos até discordar de tudo, desde que concordemos na coisa mais importante: que amamos um do outro.

quarta-feira, abril 06, 2005

o vôo


(...) Esgota, como um pássaro,
As canções que tens na garganta.
Canta. Canta para conservar a ilusão
De festa e de vitória.
Talvez as canções adormeçam as feras
Que esperam devorar o pássaro.
Desde que nasceste
Não és mais que um vôo no tempo.
Rumo ao céu?
Que importa a rota?
Voa e canta
Enquanto resistirem tuas asas.
Menotti del Picchia

Parei para olhar a chuva. Raios e trovões. Raios, não caibo mais dentro do armário, onde eu escondia meus medos – eles agora andam pela casa, crônicos e verbalizados. Tem dias que eles me fazem duvidar da força das pernas e da leveza das asas.

São eles, atrevidos e sarcásticos, que me fazem dever uma vela pra cada santo e desconfiar de todos os santos – mas é só em alguns dias – quando eu acordo querendo voltar pra cama.

Tem dias que simplesmente não vivo sem eles, esses medos disfarçados de ansiedade.
E nem é porque chove canivete, nem porque já é abril, não me engano.

Nesses dias, faço voto de silêncio e sustento um olhar arredio pra não distrair a esperança ou banalizar o sonho.

Nesses dias, só nesses, preciso aprender a soltar o pássaro preso na garganta pra que seu meu canto adormeça minhas feras.

Em tempo...
Eu, beija-flor dessa luz que se abre feito flôr a cada dia...
Eu, dobradura irriquieta de um papel escrito por mãos divinas...
Eu, origami das canções da vida, que voa por entre as flôres que a vida plantou para mim...